Em carta, monge e ex-assessor de dom Helder defende peça com Jesus travesti


Após polêmica envolvendo a peça "O Evangelho Segundo Jesus, Rainha do Céu", que, depois de muitas reviravoltas, acabou não sendo exibida na programação oficial do Festival de Inverno de Garanhuns (FIG), encerrado no último sábado (28), o monge beneditino Marcelo Barros escreveu uma carta destinada aos cristãos de Garanhuns defendendo a apresentação teatral. Manoel Barros foi ordenado padre por dom Hélder Câmara em 1969 e, por quase 10 anos, trabalhou como secretário e assessor do ex-arcebisbpo de Olinda e Recife para assuntos ecumênicos.

Na carta, o monge afirmou que Jesus se identificou com todos que são alvos de discriminação social e mal vistos pela sociedade. "Assim sendo, creio que, independentemente da peça, Jesus se revela presente mais na figura da atriz transexual que transmite o amor universal que ele pregou do que nos mantenedores de uma sociedade injusta que o papa Francisco chama do 'descarte' e da indiferença para com o outro", disse.Ele ainda acrescentou que os cristãos que leem a Bíblia e se sentiram agredidos por Jesus ter sido chamado de "rainha" na peça - uma "ofensa à masculinidade de Jesus" - desconhecem os estudos da Teologia feminista atual, que "tenta recuperar a dimensão feminista presente no Cristo". "Fazem isso não para negar a masculinidade de Jesus de Nazaré, mas para reafirmar a universalidade de sua atuação, na qual homens e mulheres podem se sentir representados", pontuou Marcelo Barros.
O monge ainda parabenizou as pessoas que enfrentaram as tensões envolvendo a peça e desejou que Deus abençoasse a atriz Renata Carvalho, que interpreta Jesus como uma travesti, e a autora da peça, Jo Clifford. "Deus não assinou contrato de exclusividade com ninguém. A última vez que, no Brasil, alguém se colocou como proprietário de uma empresa com o nome de Jesus.com foi o ex-deputado Eduardo Cunha, que abriu essa marca ligada à Assembleia de Deus da Madureira, RJ, para onde desviou milhões de reais", disparou Barro


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